domingo, 21 de fevereiro de 2016

Subir de divisão ou fortalecer o futebol local?

9 em cada 10 dirigentes do futebol amazonense pensam que o Amazonas precisa de um clube que suba de divisão para o nosso futebol crescer.

A lógica é simples: a partir do momento em que um time subir, abre-se uma lacuna para outro amazonense disputar uma competição nacional e tentar repetir o feito.

O único problema é que, independentemente de jogar campeonato nacional ou não, só um clube no Amazonas é capaz de pleitear acesso: o Nacional. Os outros fariam mera figuração.

E como que os outros também podem se fortalecer?

É aí onde eu quero chegar.

O crescimento do futebol amazonense não tem nada a ver com um time na Série C, na Série B ou seja aonde for. Tem a ver com um Campeonato Amazonense forte, que desperte o interesse do torcedor. Tem a ver com os clubes locais se preocuparem em envolver o torcedor em suas ações - e existem n maneiras de se fazer isso. E tem a ver com uma gestão mais profissional, claro.


Acesso não é um feitiço para acabar com o atraso do futebol amazonense. Foto: Divulgação/Nacional FC

Enquanto o São Raimundo esteve na Série B, tudo estava maravilhoso no futebol amazonense. Ninguém estava preparado para o São Raimundo - e, consequentemente, o Amazonas - sumir do mapa. Ninguém olhou com carinho para aquele empobrecido campeonato estadual - aquele mesmo para o qual o São Raimundo estava CAGANDO.

O São Raimundo de ontem é o Nacional de hoje no aspecto financeiro. O Nacional vive no Fantástico Mundo de Bobby. Um milionário em terra de miserável, como gosta de dizer Cláudio Nobre. Um time com orçamento de Série B, com dinheiro para abrir a Arena da Amazônia quantas vezes quiser sem dar a mínima para prejuízo.

O Nacional já deveria ter subido de divisão. Só não sobe porque tem uma diretoria retrógrada e influências prejudiciais ao desenvolvimento do clube. Talvez continue errando e um dia (talvez até nesse ano) suba de divisão, pois sabemos que o dinheiro muitas vezes fala mais alto no futebol. Mas isso não tornaria o futebol amazonense mais forte.

O futebol amazonense e tudo que o cerca, incluindo o campeonato estadual, não cresce por um motivo: ninguém pensa em conjunto. A Associação dos Clubes Profissionais do Amazonas (Acpea) tinha tudo para ser uma iniciativa de sucesso. O problema é que cada um só pensa nos seus interesses.

Os clubes realmente acreditam que um campeonato estadual com QUINZE CLUBES (repito: QUINZE CLUBES) é atrativo para o torcedor? É muito provável que a cerca do Profut impeça essa aberração, mas é algo inconcebível. Temos 15 clubes de alto nível no Amazonas? Este é só um dos tantos exemplos que escancaram o nosso amadorismo.

Há pessoas interessadas em mudar o futebol amazonense, não quero generalizar. O que não podemos ignorar é que, diante de tantos problemas, a ausência de um clube na Série C é o menor deles. E se um time amazonense subir de divisão 'nas coxas', sem organizar a casa, servirá apenas para mascarar a realidade.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A historia do jogador amazonense que está se destacando fora do estado

Ser jogador profissional é o sonho de todo garoto que bate sua bolinha no final de semana ou assiste seus ídolos nas grandes ligas europeias. Alguns deles conseguem sair do estado para mostrar seu potencial, esse é o caso do jovem jogador, Ronaldo Cardoso Filho, conhecido carinhosamente como Naldo ou Naldinho, que já desponta como uma das principais promessas do futebol amazonense.

Naldinho, aos 16 anos, atua na posição de volante e acumula passagens por grandes clubes do futebol brasileiro. Mesmo com a pouca idade, o meia baré assinou seu primeiro contrato como profissional com a equipe do Grêmio de Porto Alegre. 

Naldinho disputando a bola com Dagoberto em treino do Vasco

- Eu cheguei no Vasco através do Paulinho Nascimento, que é bastante conhecido em Manaus. Eu jogava futsal em Manaus e ele me viu jogando. Ele conversou comigo e com meus pais, para saber se eu tinha interesse de jogar no Vasco que ele me daria essa oportunidade. Foi através do futsal e do Paulinho Nascimento que eu cheguei no Vasco. E eu sair de casa e de Manaus com 10 anos em 2010. Completou

Em 2010 o olheiro Paulinho Nascimento, viu futuro no futebol de Naldinho que já apresentava uma diferença física muito superior as das outras crianças, e decidiu conversar com o atleta e a família para transferir o garoto ao Rio de Janeiro. ‘’Ele já se destacava nas quadras quando jogava pela Martha Falcão, e ele tem tudo para se dar bem na carreira’’. Disse Paulinho.

Com 10 anos de idade e sem experiência alguma no esporte, Naldo comentou sobre como foi difícil adaptação em um novo estado e a responsabilidade de jogar em uma grande equipe do futebol brasileiro. ‘’ A adaptação foi um pouco difícil no início, ficar longe da família e dos amigos, de tudo de Manaus, sair com 10 anos não era fácil. Mas depois fui me acostumando fui recebido muito bem lá no Vasco. ’’ O jovem fez questão de destacar a importância da sua família em todo seu processo de crescimento.

- A importância da minha família em todo esse processo foi a coisa mais importante que meu pai e minha mãe sempre vem me acompanhando e para onde que eu vou eles vão. Eu vim para o Rio e eles vieram comigo. Agora vamos para Porto Alegre, meu pai já está lá e minha está indo em breve.

5 anos no Vasco

Com a chegada no Vasco, a joia do futebol baré começou como zagueiro na equipe cruz maltina. Mas com o tempo foi colocado na posição de volante, além de ter atuado na lateral direita algumas vezes e até ter pegado a braçadeira de capitão em alguns jogos do time nas categorias de base. A primeira experiência jogando fora do estado já foi uma situação muito impactante para o jovem amazonense, depois de ter recebido a chance de atuar em um torneio na Europa pelo time carioca, foi quando a ficha realmente caiu.

- No futebol vivenciamos coisas boas e ruins a todo momento. E uma história boa foi quando eu fui jogar pelo Vasco em Portugal e foi minha primeira viagem para jogar fora do Brasil, gostei muito ganhei bastante experiência, infelizmente nas semifinais perdemos para o atlético de Madrid no jogo que começamos ganhando por 2-0 e o arbitro acabou expulsando 3 jogadores nossos e acabamos pegando a virada, mas foi uma experiência única na minha vida.


Curta passagem no São Paulo e Acordo com o Grêmio

Naldo saiu do Vasco em 2015 e foi para o São Paulo aonde passou 2 meses, porem depois de inúmeros problemas e a falta de adaptação, acabou assinando com o Grêmio que segundo o Jovem apresentou uma proposta melhor que a da equipe paulista.

- Eu fiquei 5 anos no Vasco, e aconteceu algumas situações que eu não estava gostando, não estava de acordo. Então eu preferir sair, antes de eu ir para o Grêmio eu tive uma passagem, no São Paulo, passei dois meses no São Paulo, mas eu recebi uma proposta melhor para jogar no Grêmio e decidir e para lá. Eu também não tive uma boa adaptação no São Paulo. E quando eu cheguei no Grêmio eu fui recebido muito bem, sem palavras para o acolhimento do pessoal de cidade, todos muito educados.
Naldo comentou sobre a importância de todos seus treinadores nessa sua curta carreira no futebol.

- Sempre tive excelentes treinadores, todos me ajudaram bastante, aprendi muito e todos foram importantes.


domingo, 17 de janeiro de 2016

Eles querem acabar com o futebol amazonense

Volta e meia quem acompanha o futebol amazonense ouve essa frase.

Se a imprensa expõe um problema do futebol local, "eles querem acabar com o futebol amazonense".

Se o Tribunal de Justiça Desportiva suspende o Princesa do Solimões por não pagar uma multa, "eles querem acabar com o futebol amazonense".

Isso é algo que eu nunca entendi. Se existe algo errado no nosso futebol, a culpa é de quem divulga? E o pior, se o tribunal FAZ CUMPRIR A LEI, ele quer acabar com o futebol amazonense???

TJD e a tentativa de construir mais um 'vilão' do futebol amazonense (Antônio Assis/FAF)

O torcedor reclama que a mídia não fala das 'coisas boas' do futebol amazonense. Discordo. Sem coitadismo ou corporativismo, mas em muitos momentos a mídia dá espaço para o futebol local até quando o mesmo não faz por merecer.

Veja o último Campeonato Amazonense. Teve clube que simplesmente ESCONDEU todas as informações do elenco sabe-se lá por quê.

Vejam o clube de maior notoriedade do futebol amazonense. Seu presidente passou três meses dizendo que não tinha treinador, sendo que o Amazonas inteiro sabia o nome do novo técnico - eu até brincava que meu amigo Amarildo Silva sabia até o número do voo dele.

Esse mesmo presidente repudiou por vários meses qualquer boato de negociação com o discurso de que "o clube estava apenas pagando dívidas". Em seguida vieram uns 20 jogadores de uma vez, todos de fora. Pagou rápido, hein? Bela transparência.

Agora é o tribunal que incomoda. Tudo porque ele exige o que os clubes amazonenses não têm: profissionalismo. Não quero generalizar, existem muitas pessoas boas no nosso futebol. Mas todos vão ter que aprender, nem que seja na marra, que a banda toca de outra forma.

Estamos acostumados a resolver no jeitinho, na conversinha, passando a mão na cabeça. E foi consequência desse vício que, por decisão do tribunal, o juvenil não teve nenhum campeão no Amazonas.

O jornalista gosta tanto do futebol amazonense quanto o torcedor, mas não é por isso que ele vai deixar de expor os nossos problemas.

O presidente do tribunal também gosta muito do futebol amazonense, não à toa é fastiano. Mas nem por isso ele vai deixar de aplicar multas ao Fast ou qualquer outro clube caso necessário.

Fique atento a quem realmente está acabando com o futebol amazonense. É aquele que se perpetua no poder, aquele que se acha dono de um clube, aquele que enriquece às custas do SEU clube, aquele que incita o discurso do ódio. Esses, sim, estão aniquilando o futebol amazonense.