terça-feira, 25 de abril de 2017

O outro lado da moeda

O que parecia impossível aconteceu: Dissica Valério, ao menos por enquanto, não é mais o presidente da Federação Amazonense de Futebol. Cláudio Nobre, vice do Fast, assume a presidência interina da FAF.

Alívio? Talvez. Dissica é o símbolo de um futebol amazonense que parou no tempo. Vive das lembranças do passado e de uma série de vexames no presente. Seu substituto, Cláudio, é visto como o "capitão" dos novos gestores do futebol local. Mas falar em renovação ainda é muito, muito cedo.

Vamos aos fatos: há um claro conflito de interesses na nomeação de Cláudio (pela Justiça) ao cargo. Afinal, ele ainda é o vice-presidente do Fast. Também não parece lógico que o diretor de marketing da federação seja outro dirigente de clube: Roberto Peggy, presidente do Nacional. A entidade não deveria ser independente?

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A nomeação de Cláudio é momentânea, mas sim, ele realmente é o nome do momento para assumir a FAF mais cedo ou mais tarde. Mas aqui cabe o questionamento: a associação dos clubes (ACPEA), presidida pelo próprio Cláudio, foi um verdadeiro fiasco. Acreditar em mudança ainda parece um pensamento prematuro.

Mas a culpa não é só de Cláudio, claro. Pelo contrário, seu discurso vai de encontro ao que Dissica, Ivan Guimarães e companhia fizeram o futebol amazonense afogar em um poço sem fundo. E se a ACPEA não foi pra frente, é porque os dirigentes locais não possuem maturidade suficiente pra sentar numa mesa e discutir soluções para o futebol amazonense sem pensar apenas no próprio umbigo.

Vamos voltar no passado: quando Dissica assumiu a FAF, no início da década de 90, ele havia acabado de liderar o Rio Negro a um tetracampeonato estadual (1987-1990) que pôs fim a uma verdadeira hegemonia do Nacional. À época, Dissica era visto como uma nova cara, alguém que poderia transformar o futebol local em uma potência. O final nós todos sabemos.

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Cláudio assume o posto com credibilidade. Tem seus méritos, claro. Mas enquanto sua imagem estiver associada ao Fast, sempre haverá questionamentos. E o exemplo de Dissica mostra que nosso dever é sempre questionar.

A saída de Dissica, por si só, inegavelmente representa uma grande mudança. É quase a quebra de uma ditadura. Mas ainda há Ivan Guimarães e ainda há um conjunto que parou no tempo. Um contexto que não pode nos fazer cair em uma ilusão.

Não é só a saída de Dissica que vai transformar o futebol do Amazonas. A FAF precisa de uma verdadeira reformulação - e quem sabe o afastamento de seu presidente seja um efeito dominó. Os clubes precisam de gestores de verdade, de gente comprometida com a evolução do nosso futebol. Enquanto o todo desse organismo não mudar, continuaremos onde estamos. Falta credibilidade. Que esse seja o início de uma profunda mudança, e não apenas um consolo em um cenário de abandono.

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